Em pouco mais de um mês de julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o batalhão de advogados que ocupava o plenário da Corte nas primeiras semanas deu lugar a grupos de estudantes e estagiários de direito, recebidos ao início de todas as sessões da ação penal 470 com boas-vindas pelo presidente, Carlos Ayres Britto.
A saudação nominal de Britto aos universitários da plateia gerou uma comparação com o programa do humorista Jô Soares, frequentado por grupos de universitários, cuja presença é sempre destacada pelo apresentador.
O Supremo já recebeu “caravanas” de estudantes de Minas Gerais, Tocantins, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e também do Distrito Federal, segundo informações do cerimonial da Corte, que cuida das visitações. Os grupos são de diversas universidades e faculdades de direito.
Mas os estudantes dizem estar no Supremo por outro motivo que não é o entretenimento: o futuro profissional. Aprender direito entre ministros da mais alta Corte do país, em um julgamento considerado o maior já realizado pelo STF, é uma maneira de “pegar experiência”, diz Jean Kelpy, 21 anos.
Kelpy e outros seis colegas do 3º semestre do curso de direito da Unip (Universidade Paulista) da Asa Sul, em Brasília, estudam pela manhã e saíram da aula em dois carros para acompanhar a sessão, mesmo em véspera de feriado de 7 de Setembro.
“A gente aproveitou para vir direto da faculdade. É a primeira vez, mas vamos começar a vir mais”, afirmou.
Eles dizem não anotar o que dizem os ministros, nem fazem fotos, o que não é permitido durante o julgamento, mas revelam que às vezes é difícil entender o “juridiquês” dos ministros. “A gente não conversa na sessão, fica só se concentrando. Aí de vez em quando consegue entender”, diz Kelpy.
Durante a sessão acompanhada pelo grupo, três dirigentes do Banco Rural à época do escândalo do mensalão, Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, foram condenados pelo crime de gestão fraudulenta. Ayanna Tenório, também diretora do banco à época, foi absolvida.
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